Relações líquidas, relações cítricas

Sonhei com um grande amor. Uma noite. Tão breve. Tão leve. Quatro caipirinhas para ele. Quatro caipirinhas para mim. Oito no total. Três limões em cada uma. Três-limões-vezes-oito. Vinte- e-quatro. Duas dúzias de limões. Beijos deliciosamente cítricos. Ali na Vila Madalena. E uma dose de Marçal Aquino – o amor é sexualmente transmissível*.

No sonho, ele – não, não o Marçal -, refiro-me ao meu grande amor – ele pedia desculpas por tudo. Pelo jeito tão dele de ser. Por ter que ir embora tão rápido. Por ter que dar atenção às mensagens do celular. Pela pronúncia tão irresistível e errada do meu nome. Sim, além de um amor líquido, era estrangeiro. Talvez clandestino. Quem sabe ilegal, Mano Chao.

Horas depois, mais pra madrugada, meu grande amor líquido e cítrico me disse – você precisa escrever sobre. Ponto final. Talvez eu ainda escreva sobre o-que-ele-me-pediu-para-escrever-sobre. Ou não escreva. Talvez já tenha escrito. Talvez não seja um ponto final. Talvez sejam reticências. Ojalá. Chissà. chissà, chissà.

Acordei sem ressaca. Mas senti saudades.

*Frase retirada do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.limao izzy-gerosa-80667-unsplash.jpg

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