É crônico 

Andreza Taglietti

Paula se despedia. Paula não queria. Paula já sabia. 

Já reconhecia os sintomas. A garganta. Nó.Engasgo. Mãos que não se davam. Mas se acorrentavam. Prisão. Algemas. O olhar de reprovação. Raivinha. O enjoo do perfume. Náusea. Repulsão. Buquê que vira ce-cê. Sândalo que vira catinga. Jasmim que vira gambá.

Abraço-sufoco. E um colo quente demais para o coração de Paula. Tomara que a gente não possa se ver hoje. A prece da monotonia. A prece da saturação. Não é possível. Tudo de novo. Reprise. Verdade. Talvez nunca tenha sabido amar.

Saciedade. Lassidão. Insipidez. Mortificação. Tédio. Reprise. Verdade. Descobri que não te amo mais. Um bom jeito de começar? Ou de terminar? Paula precisava ver o filme de novo. Como Cristina fez pra deixar Maria Elena e Juan Antonio mesmo? Vamos lá. Era fácil. Cristina não estava mais feliz. Paula também não estava mais feliz. Reprise. Verdade. Woody Allen.Barcelona. Fim. Outro.

Paula nunca soube fazer. Paula mandou Henrique embora. On her way. A louca. A possuída. Maria Helena. Exu. Anhanguera. Controladora. Ciumenta. Nada a perder.

Henrique devolveu as chaves. Paula trocou as fechaduras. E a armadura. Não quer outros fins. O outro sofre demais.

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