Das coisas que melhoram com o tempo

tempo.jpgAndreza Taglietti

O círculo íntimo de amizades. O café coado. O café gelado. O David Beckham. A Michelle Obama. O silêncio. A respiração. A aceitação. A escuta generosa. Os (re)começos. O centro do peito. Bem lá no centrão do peito mesmo. A oração da Bethânia. Eu e eles. O almoço do domingo. O não-conflito. O abraço. O ombro. O colo. O carinho. O silêncio. O Aliócha Karamázov. O silêncio. O beijo. Os beijos. O silêncio. A simplicidade. A respiração. A Capitu. A legião urbana. O Spotify. O silêncio. As janelas abertas de manhã. A respiração. O mês de setembro. O sofá da sala. O sexo. A respiração. O domingo (de novo). O silêncio. O Murakami. A armação dos novos óculos. Com a idade, o grau estabiliza. Será, doutor? Aquele antigo show do R.E.M. A Champions League. A bicicleta. O silêncio. O papo com a dona Teresa, do primeiro andar. A relação com o corpo (né, ciático?). A mala da viagem. A respiração. O caminho para o desconhecido. O retorno. O silêncio. O forró. A Tarsila do Amaral. A coleção de havaianas. As janelas abertas à tarde. A respiração. O box 10 da Dr. Arnaldo. O Bozo. A Laura Cardoso. A vida de Antonia. A observação da natureza. A amora-presente. As agulhas. A acupuntura. As tatuagens. O tatuador. A tatuadora. O fogo. A respiração. O divã. Rir de si mesmo. Talvez gargalhar. Rir do outro. E com o outro. Os memes. A concentração. O silêncio. A Scarlett Johansson e o Bill Murray em Encontros e Desencontros. More than this. A linha verde do metrô. O Depeche Mode. A respiração. A terça-feira no parque Villa-Lobos. A pimenta. A conversa com Raimundo. Ele cuida das plantas do condomínio. O açafrão. O gosto do perdão. E o gosto pelo perdão. O movimento do bambu. O silêncio. A respiração. Os ex-amores. O espelho. As janelas abertas à noite. A Meryl Streep. O Netflix. Que rima com Matrix. Que também melhora com o tempo. O alongamento. A respiração. O silêncio. O reconhecimento das emoções. O Raul Seixas. O diálogo com a infância. E com a criança. A identificação dos medos. A (brutal) honestidade. A conversa (e a trégua?) com os esqueletos nos armários. Embaixo da cama. Na vida. Os karaokês. O silêncio. As evidências. Pra que viver fingindo se eu não posso enganar meu coraçãaaao? O silêncio. Os aniversários. O cabeleireiro. A esteticista. A Serra da Cantareira. A dança das lágrimas (chorar também é fundamental, caro poeta). A segurança nas escolhas. A relação com a natureza. Comer, rezar e amar. O desapego. A intimidade com a morte. O silêncio. A respiração. As janelas abertas novamente. A respiração. E nós. Nós melhoramos com o tempo, não acha? Em silêncio.

Crédito da foto: Uros Jovicic

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