Vinis, snapchats e despedidas

Andreza Taglietti

Cidade luz. Sempre uma boa ideia. Paris, Paris, Paris. Luisa. Antonio. O rio. O dolce far niente. O vinho. A conversa. Montmartre. As pontes. Os clichês. A alegria. E a tristeza. A Torre Eiffel também ilumina despedidas.

Luisa pensou ter se despedido de Antonio. Em Paris. Nas Muralhas da China. Em Nova York. Na Pompeia. Na esquina. Jogou tudo fora. Um ratatouille de lembranças. Orgânicas. Pelo ar. Pelo fogo. Pela privada. Pelo lixo. Não se pode reciclar um grande amor.  Despedida é decomposição. Lixo hospitalar. Putrefação. Esgoto. Migalhas para os ratos de Paris.

Mensagens e fotos deletadas. Sem playlists. O virtual e o analógico. A despedida em tempos de Spotify. O vinil agora é vintage. E as relações duram o tempo de Snapchats. Luisa pensou ter superado. Luisa pensou ter se curado. Healing, disse a carta do tarô. Luisa até beijou outros. Experimentou outras. Luisa até se apaixonou por Fernando. Esforço. Futuro. Limitações.

Luisa não conseguia se desligar. Ela não sabia identificar do quê. Não, não era dor. Era mais que dor. Era violento e agoniante. Abandono. Desnutrição. Mutilação. Impossibilidades. Orfeu em tom de sangue. Era Luisa. A força do tempo. O tempo todo. Sangue contaminado de passado. Filho da puta de passado. Dez anos nas veias de Luisa. Coagulação. Obstrução. Das artérias. Da vida. Como desobstruir? Luisa não encontrou a resposta.

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